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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Festival de Capoeira 2012

No último sábado realizamos o Festival de Capoeira de 2012

          
A Capoeira

               A Capoeira mostra que somos todos iguais. Sinta-se dentro do círculo, em que no método de "lutar" uns com os outros você é obrigado a participar com o outro, de se comunicar uns com os outros em movimento: Um adversário vindo em sua direção, você se coloca na defesa, um golpe vindo em sua direção, você deve abaixar, ou você tem que saltar. Você deve olhar a partir do seu ponto de vista, do ponto de vista do outro, do ponto de vista de quem vai entrar no meio do círculo com você.

Há momentos em que você olha para o mundo de cabeça para baixo, há momentos em que você vê o mundo de cima, há momentos em que não há a possibilidade de ferir alguém e não se machucar, porque eles não querem fazer isso. Capoeira traz consigo um conhecimento muito grande. Eu descobri coisas que não sabia que existiam.

Graduação infantil - Crianças de 3 anos










O círculo


Capoeira é realizada dentro de um círculo, porque o círculo é um grupo de pessoas. Na realidade, é feito apenas para reunir não há nada melhor no círculo. Por que em um círculo que você vê tudo, e a parte mais interessante deste círculo é você lutar capoeira dentro dele, em seguida, você se senta e quando você retomar a luta capoeira, depois se senta em outro lugar. Então você precisa rever continuamente o seu jogo, sua estratégia.



Grão mestre Poeira(RJ) no berimbau e Grão Mestre Dunga na percursão - Duas lendas vivas da Capoeira

A graduação dos alunos da socialização (7-14 anos)







Os instrumentos


O berimbau, atabaque e tambor são instrumentos tradicionais, mas o principal é o berimbau, que pode acompanhar a capoeira sozinho.
O uniforme

O uniforme é importante para a criança a se identificar com a capoeira. Quando começou a capoeira com os escravos, não havia calças ou camisas de capoeira. Eles começaram a fazer as calças com sacos de linho branco e assim foi iniciado o costume da calça branca que foi cortada pela metade da canela. Na capoeira não há apenas roupas brancas, dependem do tipo de roupa, também há roupas amarelas. Mas a tradicional vestimenta é branca.

Grão Mestre Reinaldo e Grão Mestre Poeira - A direita o professor Guiné coordena a roda de capoeira

O papel da capoeira


Capoeira é fundamental na minha vida. A capoeira juntou a minha família. Se não fosse pela capoeira, talvez eu não seria tão ligado ao meu irmão, ou minha irmã, que é falecida e minha mãe. Através dos valores de capoeira eu aprendi que, na verdade, eu deveria aprender em casa.

Eu participei de um instituto para crianças pobres e capoeira era a única coisa que conseguia me manter lá. Quando criança, eu fiz tudo o que você poderia pensar: subi nas paredes, implicava meus colegas de classe, professores. E depois que começou a capoeira no instituto tive um ponto de virada na minha vida! Eu aprendi que o círculo da capoeira é tudo e que somos todos irmãos estando perto deles.



Troca de cordas com os professores convidados

O mestre


Capoeira tem um valor ancestral que é transmitido através da tradição oral. Não é possível fazer um curso para se tornar um professor de capoeira. O professor é gradualmente  desenvolvido entre crianças, entre aqueles que vão seguir comigo, eu vou levá-lo por um ano, dois ou mais. Em pouco tempo vai estar comigo por dez ou quinze anos, etc. Esta ligação dos alunos com o professor torna-se tão forte. Meus professores sempre foram para mim o pai que eu nunca tive.

Outro momento da troca de cordas com os professores

Eles fizeram por mim o que eu queria que meu pai tivesse feito. O ponto de referência é muito mais forte. Minha mãe sempre me falou muitas coisas e eu não obedecia. O mestre chegou, ele falou, e eu obedeci.

Estes mestres que estavam comigo quando eu era pequeno, ainda me acompanha! Nós continuamos a fazer lições, então eu ainda sou seu filho. Embora agora eu sou professor de um, um professor, eu ainda sou seu filho.



Lenda viva da capoeira - Grão Mestre Dunga


A missão

Minha missão pessoal é a de ajudar os meus alunos da maneira que eu fui ajudado e ver o jeito que eu olhei para eles. Ele também pode fazer eu ganhar um monte de dinheiro, você pode ganhar dinheiro suficiente fazendo capoeira. Trabalhando dentro e fora da Obra eu ter um bom rendimento, mas para mim isso não é a coisa mais importante. Essa foi a coisa mais importante neste primeiro eu comecei a trabalhar na Obra. Em estar aqui eu aprendi que o importante é fazer o trabalho que responde humanamente a crianças e adultos que estão próximos a eles.

Igor Leonardo (Guiné) - oficineiro

 
* A oficina de capoeira é uma parceria das Obras Educativas Jardim Felicidade e o BDMG Cultural.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Coral RAIO DE LUZ no lançamento do Selo Don Virigílio Resi apresentado na TV Horizonte


Caros amigos,

Na segunda feira (9 de julho) , celebramos o lançamento do Selo Don Virgílio Resi no CEDUC, em uma das homenagens pelo 10º ano de falecimento do nosso amigo Pe. Virgílio que acontecerá em outubro.


O nosso coral RAIO DE LUZ encantou a todos com a apresentacao de 5 belas musicas. Parabéns!!!


A TV Horizonte esteve presente e registrou este belo momento que envio o vídeo a vocês.


Obs.: O coral RAIO DE LUZ é uma parceria das Obras Educativas e o BDMG Cultural.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Uma aula no maternal da Rosária por Marco Aur

Vejam que maravilha de relatorio do nosso educador musical MARCO AUR...




Uma aula no maternal da Rosária

9:40 da manhã de quarta feira. Dia frio em maio, céu azul e limpo. Só me faltava um cheiro de roça queimada para que eu pudesse me transportar 35 anos no tempo. Sou muito marcado pelos sons, sabores e principalmente pelo olfato. Mas o clima está perfeito para mais uma aventura na minha vida. Vou pela primeira vez me ter com a Rosária e sua turminha do maternal, crianças de 2 e 3 anos.
Encontrar-me com essas crianças é um atrevimento grande. As crianças pequenas estão experimentando tudo aos poucos, estão formando suas impressões de mundo, seus conhecimentos, suas sensações. Tudo toca fundo e tudo move. Suas reações são de crença e elas se apóiam totalmente em quem está ali como referência. A Rosária é esse ponto central, esse farol visto o tempo todo. Não é de se surpreender que ao me apresentar ela tenha dito que eu sou um “amigo”, me colocando dentro do seu espaço afetivo e de confiança. As crianças entendem e me olham muito caladas, mudas... querem me ouvir, me saber, me captar. Quem é esse homem?

Eu sou a música, e não pode haver desvios. Devo ser claro e preciso me fazer entender logo. A música não é minha propriedade e por sorte as crianças dali já têm intensas experiências com ela. Sei disso. Desde o berçário as educadoras cantam. Cantam, a Beré canta, não é que deixam um cd tocando alto enquanto o dia transcorre. Cantam, e o canto tem uma finalidade, tem um destino, tem um foco: cantam para elas, para cada uma delas, cantam para o encontro, para afirmar uma postura, uma compreensão bem definida da vida. Cantam para dizer que a vida vale a pena, para dizer que cada uma dessas crianças tem um valor e são únicas, são um presente, um dom. Cantam porque muitas mães já não cantam! Aqui onde trabalho é uma obra educativa e assistencial, numa região pobre da periferia de Belo Horizonte. Poderia ser por isso, pela vertente da pobreza e da necessidade essa forma de compreender os valores da música ou da minha atuação. Mas que engano! O fenômeno musical é isso! Tem esse poder de afirmar claramente um modo de perceber e atuar no mundo. Por outro lado, a pessoa é isso, um complexo de necessidades e vulnerabilidades. O status, a posição social não salva a pessoa das suas necessidades. Somos seres dependentes do encontro e da positividade: do significado. Mas uma postura como essa dos educadores, que cantam, não se contrata, se educa.

Música na infância é corporalidade, movimento, luz, contraste, afetividade, é música! E eu vou ao encontro dessas crianças... cantar um bem e receber a grande esperança, a promessa que elas são e trazem para o mundo.

Cantamos em roda “atirei o pau no gato”. Melodia alegre, em modo maior, muito familiar para nós ocidentais, com movimentos melódicos ascendentes e descendentes em graus conjuntos de fácil entoação para as crianças, com poucos saltos e bastante direcionalidade. Tudo caminha para o clímax final em que as crianças atingem a nota mais alta, a tônica superior, e se jogam no chão num pulo às vezes até perigoso. Para mim foi uma surpresa: as crianças se jogaram no chão e permaneceram ali deitadas, como se estivessem descansando da jornada musical que aquela pequena peça as proporcionou. Foi muito engraçado. Repetimos tudo e nada se perdeu.

Ensinei para elas o “pé de alface”. Cantiga em que “os coelhinhos” afirmam o seu grande prazer em comer verduras e legumes e a delícia de poderem fazer “requebradinhas”. Nessa música a criança que está no meio da roda é o coelhinho e está na expectativa de convidar um colega pra juntos rebolarem. Música, educação alimentar, motricidade, disciplina, afetividade, alegria ao som do pandeiro.

Plantei um pé de alface
A “Clara” tirou um galho (2x)
Rebola xuxu rebola
Rebola senão eu caio (2x)



Melodia muito ritmada e com vários saltos melódicos, mas muito atraente. Os saltos, difíceis no começo, logo são incorporados e valorizam muito a pulsação e o jogo. A vontade de dançar aumenta pelo uso do pandeiro num “toque” muito familiar para quem gosta de capoeira ou samba.

Propus fazermos “o vento do fantasma”, “o uivo do lobisomem”, gesto melódico em glissando num sobe e desce arrepiante. As crianças gostaram muito e se lembraram do lobo mau. Além de vocalizarmos, lançamos os braços pra cima e pra baixo fortalecendo a compreensão do movimento melódico. O glissando é gostoso de fazer e quando bem feito fortalece as cordas vocais e ajuda a ampliar a extensão vocal. É bem diferente dos gritos que as crianças fazem no recreio. É tudo controlado, educado para não “quebrar o som”, fato que deixa a voz muito estridente e irritante. Muitas crianças gritam muito ao falar, exatamente porque não tem uma boa referência vocal. Fizemos isso e depois também imitamos “o vento do Saci Pererê”, um sopro mais oscilante em formato de redemoinho. Acho que isso eu não sou capaz de descrever, mas tentem imaginar, ou então criem o seu próprio. Cantei pra elas o “vento caxinguelê”:

Vem vento caxinguelê
Cachorro do mato quer me morder

É uma cantiga “sem compromisso”, não demanda nada, não propõe nenhum movimento ou atitude. Existe. Não tem serventia a não ser ela mesma, o prazer de cantar. São duas notas de um acorde acéfalo: a terça e a quinta de um acorde maior. É portanto um intervalinho de terça menor que saltita pra cima e pra baixo, leve, sem direcionamento climático. Com um movimento de mãos mostrei pra elas que as notas pulavam pra acima e pra baixo, e brincamos um pouco com isso, cantando. Levantei-me em seguida, e peguei na minha mochila um tubinho de fazer bolinhas de sabão. Brincamos muito de soprar as bolinhas sem batê-las com as mãos ou sair do lugar. As bolinhas ficaram flutuando por muito tempo e pudemos ver muitas delas explodindo. Um gran finale.

Marco Aur
Educador de Cantiga de Roda

(uma parceria das Obras com o BDMG Cultural)


Foto: Kika Antunes